QUANDO A ANSIEDADE SE TORNA PATOLÓGICA?
Entenda o transtorno de ansiedade generalizada
No mundo atual, com a premissa de termos que ser multitarefas e dar conta de tudo, muito se contribui para um ritmo de vida acelerado, com sobrecarga de trabalho, privação de sono, falta de tempo, estresse e preocupações. A valorização desses fatores pela sociedade muito corroboram para o aumento da ansiedade. Mas como identificar quando a ansiedade torna-se patológica?
A ansiedade é uma reação associada ao medo, que faz parte da realidade humana, no intuito de manter a sobrevivência. No entanto, pode desenvolver um caráter patológico quando apresentada de forma intensa, frequente e desproporcional diante do estímulo, trazendo prejuízos significativos para a vida do indivíduo.
Quando apresentada de forma crônica, com sintomas ansiosos, na maior parte do dia, por pelo menos 6 meses, configura-se o Transtorno de Ansiedade Generalizada, também conhecido como TAG.
No TAG a avaliação do perigo diante das situações encontra-se prejudicada, de forma que o indivíduo sente-se ameaçado e pode apresentar reações de medo diante de situações de perigo reais ou imaginárias. Isso leva o individuo com TAG a estar constantemente preocupado e com dificuldade de controlar tais preocupações, seja em situações rotineiras ou de maior relevância, com a sensação de que algo ruim virá a acontecer a qualquer momento.
Tais preocupações são vinculadas a possibilidade de acontecimentos futuros, ou seja, fantasiosos, uma vez que não aconteceram, e envolvem pensamentos catastróficos, que em sua maioria não se concretizam. No entanto, esses pensamentos são capazes de acionar sintomas, e esses sim são reais, podendo apresentar angústia constante, inquietação, irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração e de memória “branco na mente”, tensão muscular, cefaléia, taquicardia, tontura, formigamento, sudorese e alteração do sono.
A gravidade do TAG pode oscilar ao longo da vida, sabe-se que adultos mais jovens tendem a apresentar maior gravidade dos sintomas do que adultos mais velhos. Além disso, o foco das preocupações pode apresentar variações conforme a faixa etária, assim, enquanto crianças e adolescentes tendem a preocupar-se mais com o desempenho acadêmico e esportivo, adultos mais velhos relatam preocupações quanto ao bem-estar da família ou de sua própria saúde física.
Estudos apontam que o TAG afeta duas vezes mais mulheres do que homens, tendo a média de início aos 30 anos e maior taxa de remissão no fim da vida. Também associa-se o TAG a fatores relacionados ao status civil, como por exemplo ser solteiro, divorciado ou viúvo, e a vida laboral, como ser desempregado ou dono de casa. Além disso, estima-se que 66% dos indivíduos com TAG possuem outro transtorno psiquiátrico, sendo de maior incidência a depressão em mulheres e o transtorno por uso de substância em homens.
Apesar de ser um dos transtornos mentais mais comuns, o TAG ainda é um transtorno subdiagnosticado, estima-se que apenas um terço dos pacientes recebam tratamento adequado. As dificuldades do diagnóstico se referem a semelhança dos sintomas com uma doença física, a busca por profissionais de outras áreas de conhecimento, a dificuldade do indivíduo em mensurar a gravidade, naturalizando tais preocupações que se tornaram habituais, e não buscar ajuda.
O TAG é transtorno crônico, entretanto estudos mostram melhora significativa com o tratamento adequado, através de psicoterapia especializada, fármacos e exercício físico. O que se espera é que o individuo aprenda a lidar com o funcionamento ansioso, tornando-se consciente dos pensamentos e crenças disfuncionais, compreendendo gatilhos e aprendendo novas formas de se relacionar com o mundo e os acontecimentos em sua vida, diminuindo os sintomas, e trazendo melhora na qualidade de vida.