Guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser bate papo com alunos da Monteiro
Um dos maiores nomes da guitarra e do metal no Brasil e no mundo, Andreas Kisser, da icônica banda Sepultura, demonstrou em um bate-papo realizado com alunos da Escola Monteiro, no mês de junho, que, para ele, a música une e não comporta – ou não deveria comportar - preconceitos.
Com um violão “emprestado” em punho e sem amplificadores, deu uma canja, tocando Guardians of Earth, música do disco Quadra, do Sepultura, em uma homenagem à aluna Luiza Marques, 15 anos, que nasceu em uma aldeia indígena em Aracruz. “Escolhi essa porque ela me disse que fez um trabalho sobre meio ambiente, usou essa música e tirou 10”, brincou Kisser.
Em seguida, surpreendeu a todos ao tocar Menino da Porteira, um clássico do cancioneiro sertanejo brasileiro, gravado por Sérgio Reis. E explicou: “cresci em um ambiente musical. Meu pai gostava de sertanejo, de Tonico e Tinoco, e esse estilo também é referência para mim. Minha mãe ouvia Clara Nunes, Martinho da Vila, Gênesis, Bee Gees, tinha discos de novela. Acho que crescer nesse universo foi importante para entender a importância tanto da guitarra distorcida quanto da viola caipira”, considera.
Na adolescência, lembra que teve uma fase um pouco mais radical, depois de descobrir o metal. Mas durou pouco.
“O primeiro instrumento que toquei foi o violão da minha avó, que era eslovena e só sabia quatro ou cinco músicas do folclore da sua terra. Não tinha como eu me fechar a outros ritmos e às possibilidades oferecidas pela sinergia entre eles tendo sido criado num ambiente tão eclético. A primeira música que toquei na vida foi Planeta Água, do Guilherme Arantes, mas fui fazer violão com objetivo de tocar Stairway to Heaven, do Led Zeppelin”, afirma ele, que foi convidado para participar do Projeto Sócio de Carteirinha da Banda Clube Big Beatles e esteve na escola a convite do jornalista Edu Henning, que intermediou o bate-papo com os alunos e familiares.
Ele acredita que essa interação cria um universo muito rico no mundo da música e do metal, explorado pela banda Sepultura. “O Brasil é único. Temos instrumentos e ritmos nossos... Temos viola caipira, temos berimbau, temos violão de sete cordas... Por que desperdiçar tanta riqueza?”, questiona, lembrando da experiência de gravar o álbum Roots, que incluiu uma visita a uma tribo Xavante, no Mato Grosso.
Para Kisser, a experiência foi transformadora. “Eu mudei como pessoa. Aprendi muito lá, aprendi sobre a conexão com a natureza, sobre a questão do tempo, sobre como nos tornamos escravos do relógio e de uma vida que a gente cria”, comenta.
Questionado sobre os momentos decisivos na sua trajetória até se tornar músico profissional, ele aponta como momento marcante estar no show da banda Kiss, em 1983, no Morumbi. “Foi meu primeiro show e mudou minha vida”, lembra, dizendo que outro momento muito emocionante foi o dia em que conheceu Ozzy Osbourne.
“Chorei por meia hora depois de encontrar com ele. Acho que fico um pouco estranho até hoje quando me vejo diante de um ídolo. A gente volta no tempo, passa o tal filme na cabeça. Diante do Ozzy, eu pensava o quanto já foi desafiador pra mim, lá no início, aprender a tocar Paranoid, uma música fácil aos meus olhos de hoje”, conta.
Para ele, a trajetória é mais importante do que o objetivo final e o palco é o lugar sagrado do músico. “Eu sou músico porque gosto de tocar, de estar no palco”, ressalta, dizendo que já visitou 80 países com a banda Sepultura, da Sibéria ao Panamá, onde tocou mais recentemente.