. Tico & Rato –
Na Trilha Oceânica .
Eu (de óculos) e Guará orgulhosos de Tico & Rato - Na Trilha Oceânica - escrita e desenhada por mim e que ele produziu em versão "Graphic Novel".
A história já vinha se formando há algum tempo, mas pegou embalo mesmo quando tive hepatite. Hepatitezinha, das brandas, mas que me atestou para fora da sala de aula e da ordem rotineira dos dias cheios de preocupação dos adolescentes... e por estar tão por fora foi que vi, e em segundos percebi que lá, naquele quartinho isolado do resto da casa, uma espécie de mosteiro colocado no quintal, era onde Tico & Rato viveriam enfim a paginação de um sonho.
Com nossa casa em reforma meu pai alugou aquela outra bem em frente. Ele poderia acompanhar a evolução da obra só de atravessar a rua, e eu comecei a minha aventura de atravessar o quintal da casa alugada como um elemento passageiro a fim de deixar algo, sim, passageiro a fim de deixar algo. E comecei imediatamente a desenhar e escrever a história que eu tinha por dentro. O aparelho de som no meu “mosteiro” ficava numa mesinha baixa e só era desligado quando eu ia dormir depois de desenhar muito, e ficava tão colado a mim que os pelos de minhas pernas se tornaram notas musicais naquela partitura nascida com “Tico & Rato – Na trilha Oceânica”. E nunca estudei tanto como naqueles dias sem escola: buscava em revistas e jornais, ficava atento ao assistir de tudo que passasse na tevê, e quando minha hepatitezinha teve alta fui às ruas faminto, vasculhei todos os vãos-onde-o Sol-não-bate das bancas e livrarias com um desejo dos mais humanos, queria algo que fosse ajudar na história.
Fotos, relatos, um Atlas com a formação rochosa, as ondas de um meio de oceano que nunca chegam à praia, o cheiro de flores locais de lugares que eu levei para minha Trilha Oceânica sem nunca ter – e ainda hoje – ido. Quase nada achei. Portanto, há incorreções que cometi. Coloque-se em 1985. As ferramentas de pesquisa hoje... aah, se eu as tivesse então! Mas me contento em saber que tive boa inspiração, e talvez boas inspirações na arte nos permitam alguns erros.
Quando Guará apareceu aqui décadas depois trazendo o exemplar de Tico & Rato impresso com uma qualidade que vi apenas em lindos livros sobre gente como Odilon Redon, Ekaterina Maximova e Barry Kanaiaupuni, só pensei que certas coisas boas vão continuar... e sempre haverá trilhas mais impressionantes do que o caminho mais conhecido.
Para Guará e Duda.