GUIA GRANDE VITORIA ED 05 2022


Do Universo Invisível

O cheiro na máscara de mergulho ainda permanece, não é mais tão forte como quando nova, mas ainda diverte os sentidos. Naquela beirinha d’água, maré baixa, refletíamos a pele que nem parecia mais nossa, éramos corpos do Sol, radiantes, e tudo sob os olhos atentos de pais que, aos nossos olhos, se divertiam tanto quanto nós. Talvez às vezes não fosse assim para eles, mas mesmo ao perceber que estavam tristes, contar com o chamado para um picolé ou um suquinho (daqueles que vinham em plástico transparente imitando frutas) com “biscoito paulista” era tão, mas tão bom... e sentar ao lado deles, à sombra deles, era ainda melhor.             

Na época, poucos guarda-sóis se enfileiravam na areia do final da Praia de Camburi, pouca gente por aqui e, já à tardinha, com a maré cheia, era apenas você e sua infância e o mundo todinho em sua família, todos feitos de dias inteiros. Dias inteiros... Sair da água com a boia rodeando sua cintura e aquelas máscaras ovais no meio da testa faziam do andar na areia uma visão meio extraterrestre, some a isso um eventual par de pés-de-pato e... pronto: “Klaatu barada nikto” – você vinha mesmo de outro planeta. E a criança é mesmo do universo invisível, não é?! Enxergam coisas que os anos escondem dos adultos. Na beira d’água – “não vá muito pro fundo, filho” – com os cromossomos agindo, com os retratos convividos, com a saudade que bateria em nossas portas amanhã, era profundo ser infantil. E sentir saudade é ensinar o Futuro.

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