Como escolher uma boa escola para além dos mitos
Avaliar o acolhimento, perceber como as próprias crianças se sentem na escola e a relação que é estabelecida com a família são dicas para acertar na hora da escolha.
Deixar a educação infantil e iniciar o ensino fundamental significa deixar de lado o brincar no ambiente escolar? A quantidade de dever de casa será diretamente proporcional à assimilação do conteúdo?
Escrever em letra cursiva no momento da alfabetização é um diferencial? Uma escola silenciosa é uma escola séria? Pais não devem ter acesso a professores e à equipe pedagógica da escola no dia a dia? A resposta a todas essas perguntas, quando analisadas isoladamente, parece óbvia e é: não.
O problema que, na ansiedade por escolher o melhor para seus filhos, muitas famílias ainda se prendem a fatores que ganharam o senso comum, mas que, na prática, não se relacionam a uma experiência de aprendizado bem-sucedida.
Ao contrário, alguns desses mitos podem ter efeito contrário, prejudicando o ensino-aprendizagem. É o que explica a diretora pedagógica da Escola Monteiro, Penha Tótola.
“Uma criança de seis anos que deixa a educação infantil se depara com um novo mundo à sua frente. Pra sua idade, pra sua história, iniciar o ensino fundamental numa escola é um marco importante. Acolhimento e afetividade nessa transição e em toda a vida escolar só trarão benefícios, inclusive facilitando o aprender. Quem, mesmo adulto, não gosta de ser bem acolhido, de pertencer, de ser ouvido em suas aspirações, de ser percebido como o ser único e especial que é? Por que a criança deveria ser privada desse direito? Tratá-la com afeto é também respeitá-la”, explica a diretora.
E ela vai além: o acolhimento deve se estender à família. “Escola e família têm papéis distintos no desenvolvimento do indivíduo. Não se trata de delegar à escola responsabilidades que cabem à família, mas sim de buscar uma relação de parceria que será positiva para todos os envolvidos e, em especial, para a criança”, considera Penha.
Na Monteiro, Penha conta que o olhar atento ao aluno em suas especificidades como indivíduo pressupõe o acolhimento à família. “O aluno não pode ser visto apenas como uma mão que escreve, um olho que lê... Mas sim como um ser humano que pensa, que sente e que se relaciona com o mundo”, diz.
Outro mito, para ela, diz respeito ao universo lúdico. Ao contrário do que se pensa, manter o brincar na rotina estudantil contribui para estimular a curiosidade e cultivar a alegria e o gosto pelo aprender. “É claro que as responsabilidades existem e que, aos poucos, a criança é sendo conduzida a dar conta delas, de forma gradativa, numa transição que não precisa ser dura e brusca”, explica.
Para Penha, é possível estabelecer combinados com as regras de convivência, disciplina, autocuidado, respeito ao outro e a si próprio. “Quando o aluno participa dessa discussão como agente, ele se compromete muito mais com o cumprimento das normas do que se o conjunto de determinações tivesse sido imposto”, ressalta, com a experiência de cerca de 35 anos na educação.
Tornar o ambiente escolar um espaço de alegria, inclusão e bem-estar é outro objetivo diário da equipe. “Percebemos que nossos alunos são felizes aqui e isso é resultado de um trabalho pedagógico que busca oferecer o melhor do ponto de vista do conteúdo e das diretrizes curriculares, mas que tem como valor a educação humanizada. Buscamos estimular a inovação e a criatividade dos nossos alunos fazendo educação com criatividade e inovação. Significa que buscamos estar abertos ao novo, criando novas formas de fazer, de transmitir, de trocar e de educar para a vida, desenvolvendo habilidades e competências, estimulando a cidadania e o protagonismo”, afirma.
Portanto, para escolher a escola da sua criança, além de analisar fatores como espaço físico, localização, atividades extras oferecidas, é possível:
- Visitar as instituições, de preferência, em dias letivos e horários de aula. Avaliar o “clima” da escola pode ser uma forma de perceber como os alunos se sentem lá.
- Uma escola é um “organismo vivo”. Ambientes sisudos e silenciosos demais não combinam com crianças. Observe.
- Converse com outros pais e, se puder, ouça crianças que já são alunas. A dica é utilizar perguntas simples capazes de trazer ricas respostas: “Você gosta da sua escola? O que você mais gosta nela? O que você está aprendendo? Quem são seus amigos? A professora é legal? Vocês brincam?...
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