GUIA GRANDE VITORIA ED 09 JUNHO 2023


Parceria família e escola, na prática

O dia a dia na Escola Monteiro cria espaços para interação efetiva entre a família e a escola, estreitando vínculos e reforçando a importância da colaboração.

Muito se fala nos benefícios que a parceria entre família e escola traz para o processo educacional. Mas criar de fato um ambiente favorável para a troca e para a interação nem sempre é tarefa fácil. 
“Promover o diálogo, unir forças, criar canais de escuta são movimentos importantes quando se pensa no processo de ensino-aprendizagem. Não é fácil, mas é possível construir essa relação de efetiva parceria. E compensa muito, já que os ganhos se manifestam na educação da criança e do adolescente em formação”, afirma a diretora-pedagógica da Escola Monteiro, Penha Tótola.
Para ela, é no dia a dia que o vínculo se constrói. “Desde a sua fundação, a Monteiro é uma escola que tem a humanização como valor. Nesse sentido, entendemos nosso papel enquanto agente importante no processo de formação da criança que é nosso aluno, e nos mantemos abertos a receber, acolher, ouvir e atuar em conjunto com as famílias”, explica.
O pai precisa falar com o coordenador, com o diretor, com o professor e pode agendar um horário em situações que exigem maior tempo e formalidade, mas a equipe da escola está sempre próxima no dia a dia.
Além disso, há canais estabelecidos como a Escola de Pais, espaço criado para promover o debate, compartilhar experiências e conhecimentos sobre temas relacionados ao educar dos nossos tempos. “Esse ano estamos indo para a segunda edição da Escola de Pais, debatendo questões como a influência do algoritmo e a formação do sujeito, mas a lista de temas é variada. Já falamos de saúde mental, de hábitos saudáveis de sono, de jogos eletrônicos, entre outros”, ressalta Penha.
Há ainda a interação que se dá unindo pais e filhos em momentos de aprendizado, de recreação ou de parceria em projetos mais práticos. O Dia da Família, realizado anualmente em abril, é um exemplo. 

“Nesta data, a proposta é abrir as portas da escola no final de semana para receber as famílias. Alunos e seus familiares – pais, tios, avós - podem se inscrever para participar de uma gama de oficinas, além de ter tempo para dançar e brincar juntos”, diz a diretora.
Na Festa da Família, inclusive, muitos familiares se oferecem para ser instrutores de oficinas, compartilhando o que sabem fazer. 
O mesmo acontece nas palestras e projetos pedagógicos. “Se temos  um familiar que domina determinado tema de interesse dos demais pais, por que não convidá-lo para compartilhar o conhecimento na Escola de Pais? Ou para dividir o que sabe, suas vivências e experiências com a turma do seu filho ou com outra turma da escola que esteja trabalhando um determinado assunto? É algo que fazemos sempre”, conta.
Um belo exemplo é o caso de Mariana Leandro, mãe de dois alunos do 5º e do 7º ano do ensino fundamental da Monteiro. Convidada pela coordenação, ela esteve na escola para falar com alunos do 4º ano sobre racismo e suas consequências junto à população negra no Brasil, complementando um trabalho desenvolvido a partir da adoção de obras literárias escritas por autores negros. 
“Sempre me coloco disponível para a escola, enquanto mãe de aluno, para contribuir no que eu puder, com o que a ela precisar. No caso específico do tema racismo, acredito que é fundamental o envolvimento de toda a comunidade escolar para trabalhar o tema a partir de um olhar racializado, evitando que se reproduzam outras violências e trabalhando para que o ambiente escolar seja um lugar inclusivo”, ressalta.
Para ela, uma forma de compreender como esse tema atinge pessoas negras e constrói privilégios para pessoas brancas em nossa sociedade é a partir da escuta de pessoas da própria comunidade escolar. “Uma escuta ativa sobre racismo é capaz de promover uma autorreflexão coletiva, que possibilita construir uma postura ativa de respeito às diversidades, a partir das relações de convivência escolares. O que se aprende na escola extrapola seus muros”, ressalta.

Mariana acredita que a parceria entre família e escola é importante na medida em que, mesmo tendo papéis diferentes na sociedade,  compartilham ou devem compartilhar um objetivo comum: a formação de indivíduos conscientes, capazes de atuar na construção de uma sociedade  mais justa, igualitária e sustentável.
Mãe de uma aluna do 9º ano, a jornalista Ana Paula Alcantara concorda com Mariana e acredita que a abertura da escola e seu comprometimento com a formação do aluno enquanto sujeito de um novo mundo estão entre seus valores mais importantes. “Ao longo desses nove anos como mãe na escola, percebo que estimular essa abertura, esse diálogo e essas reflexões realmente tornam os alunos mais conscientes, mais humanos, mais críticos e mais empenhados no acolhimento do outro em sua diversidade e na preocupação com o coletivo. Minha percepção é que se trata de um movimento que vai além do individual e passa a caracterizar o grupo, o que é muito positivo num mundo materialista e individualista”,  pondera.
Além do aspecto mais amplo e importante que envolve questões como racismo, cidadania, sustentabilidade, entre outros temas, a mãe também ressalta momentos do cotidiano, de lazer e diversão que contribuem para gerar participação e integrar alunos e famílias na rotina da escola. Recentemente, sua família viveu um exemplo: a mobilização conjunta para o rito de passagem que é a formatura das turmas de 9º anos.
De acordo com o coordenador do 9º ano e do ensino médio da Monteiro, Elio Serrano, é tradição envolver os pais do 9º ano na preparação das iguarias da barraca de doces da festa junina. “Montamos uma comissão de formatura com alunos e famílias. Eles se organizam com apoio da escola e ficam responsáveis, pais e filhos, pela barraca de doces, cada um levando sua contribuição. A renda obtida é revertida para a festa de formatura. E é sempre um momento de integração e participação”, diz.
Ana Paula participou da escala e ficou feliz ao ver o envolvimento dos adolescentes e dos pais. “Eu realmente achei que tinha doce demais para apenas uma tarde de festa... Mas, ao final, a garotada colocou os doces em cestinhas e saindo vendendo pela rua entre mesas e barraquinhas. E vibraram ao anunciar que todos os doces tinham sido vendidos.  Além de ser divertida, a experiência estimula o comprometimento e a organização dos adolescentes e ainda permite momentos de integração em família”, considera.

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