A revolução no diagnóstico e tratamento da doença do olho Seco
A incômoda sensação de areia e coceira nos olhos surge por várias causas, incluindo passar muito tempo em frente ao celular e ao computador. Se não for tratada adequadamente, pode lesionar a superfície ocular e progredir para sintomas permanentes, com sérios comprometimentos da visão.
A síndrome do olho seco acomete 34% da população mundial. No Brasil, afeta 18 milhões de pessoas e, entre os capixabas, o índice é alto. A informação vem da oftalmologista Liliana Nóbrega, uma das maiores autoridades do mundo em olho seco, que registra crescente procura de pacientes com a síndrome em seu consultório. Ela afirma que, de cada 10 pacientes que a procuram, sete relatam desconforto por causa da doença.
A oftalmologista se dedica ao estudo do olho seco há 17 anos e acompanha a revolução no diagnóstico e no tratamento da síndrome. Com passagem pela Universidade de Havard e pela Tear Film & Ocular Surface Society (TFOS), em Boston, Liliana Nóbrega é referência nacional e internacional no assunto.
Também é pioneira por trazer ao Brasil e ao Espírito Santo equipamentos e diagnósticos para o tratamento do olho seco. Ela foi a primeira no país a receber um dos mais modernos equipamentos para diagnóstico da doença do mundo: o Videoceratografia Tearcheck, da empresa francesa ESW Vision. “Esta ferramenta criou um padrão para diagnosticar a doença. Ela permite avaliar as glândulas de meibomius (minúsculas glândulas sebáceas que revestem a margem das pálpebras) num exame chamado meibografia, dar uma pontuação exata da secura dos olhos e relevar se há riscos de inflamação, entre outros. São novas possibilidades de avaliação que vieram revolucionar esse tipo de diagnóstico”, afirmou.
Liliana explica que a doença surge a partir da lubrificação inadequada da superfície dos olhos devido à má qualidade ou quantidade insuficiente de lágrima e, se não for diagnosticada e tratada corretamente, pode provocar lesões na superfície ocular e progredir para sintomas permanentes, com sérios comprometimentos da visão.
“Esta disfunção lacrimal precisa ser levada a sério, sobretudo diante do aumento no número de casos. Por isso, é fundamental que toda a sociedade capixaba se comprometa com a divulgação de seus sintomas e formas de tratamento”, conta a especialista que trabalha há mais de 20 anos pela conscientização da doença.
A oftalmologista chama a atenção, também, para o fato de que, no inverno, a baixa umidade contribui para aumentar a incidência da secura nos olhos. Entre os sintomas estão ardência, vermelhidão, embaçamento e sensação de secura e/ou de corpo estranho nos olhos.
Mas não é só o clima que favorece a alta incidência. Também são causas ou agravantes da doença os novos hábitos da vida moderna, como o uso excessivo das telas de celular, computador e TV. “A maioria das pessoas, hoje, ao acordar, já olha o celular. Em seguida vai trabalhar num computador e, a todo instante, confere o celular. Ao final do dia, vai relaxar em frente a uma TV”, acrescenta a especialista. Segundo ela, outros fatores que provocam o olho seco são o ar-condicionado, as lentes de contato, os transtornos nas pálpebras, a menopausa e algumas doenças reumatológicas.
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