GUIA GRANDE VITORIA ED 14 2024


Escola Monteiro faz da literatura aliada na conexão com a arte e com o aprender

Pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas em Educação, Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), em parceria com a plataforma de leitura Árvore, revela que 66,3% dos alunos brasileiros entre 15 e 16 anos nunca leram livros com mais de 10 páginas, e correlaciona o baixo rendimento em disciplinas como Ciências e Matemática às deficiências de leitura.
Um estudo da Câmara Brasileira do Livro (CBL) mostrou que 84% da população adulta brasileira no Brasil não comprou um único livro em 2023. Além de fatores relacionados ao custo, o trabalho aponta que o excesso de tempo no celular tem contribuído para reduzir a disponibilidade e o interesse por outras atividades, como a leitura.
Os dados preocupam, mas há gente na contramão das estatísticas ruins. É o caso da Escola Monteiro, onde é desenvolvido um Projeto de Letramento Literário, que envolve todas as séries do ensino fundamental e médio.
Do 1º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, a literatura é uma “fiel companheira” dos estudantes em sua jornada de estudos. 
“O Projeto de Letramento Literário é consistente e abrange todas as séries. É a literatura se fazendo presente no dia a dia, mesmo nas séries iniciais, quando a alfabetização está em curso. São dois ou três livros, por trimestre, e a lista é diversificada. Este ano, temos obras de Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Manuel de Barros, Paulo Leminski, Mary Shelley e Manuel Bandeira, para citar alguns exemplos”, afirma a diretora pedagógica da escola, Penha Tótola.
A assessora de Linguagem e Literatura do Ensino Fundamental da escola, Ludimilla Rupf, explica que a escolha dos livros e autores leva em conta o que a literatura pode oferecer como arte. 
“Nossos livros são escolhidos levando em conta a literatura como arte. A arte transforma e ensina, é claro. Mas não definimos títulos pensando na literatura como algo funcional, que tem que ensinar isso ou aquilo a alguém. Temos uma relação de respeito com a arte da palavra”, diz. 
Trata-se de um trabalho forte e embasado, que há anos vem sendo desenvolvido pela escola. “Para nós, é importante o todo que uma obra literária pode oferecer: variedade de linguagens, temática, estilo, gênero. Mas nada disso se torna uma função em si mesma”, complementa.
A aluna Helena Dadalto Targa, de apenas 7 anos, aprova o trabalho. “Eu gosto muito de livros, principalmente dos de animais. Agora, a gente está lendo o livro 'Eu quero ser'. Estou gostando porque as crianças ou qualquer pessoa que estiver lendo pode montar seu próprio boneco e seu texto”, afirma, ressaltando a interatividade proposta pela obra. 
Mãe de Helena, Tiziana Dadalto valoriza o projeto da escola e reconhece sua importância a partir da própria vivência. 
“Eu cresci em meio aos livros. Meu pai sempre foi um grande leitor e incentivador. E leio para Helena e para o irmão desde que eram bem pequenos. Fico tranquila de ver que a Monteiro também incentiva esse gosto pela leitura, esse amor pelos livros. Helena fica muito feliz no dia de escolher livros novos na biblioteca, de sair para fazer leituras no entorno da escola, na praia ou na praça, que são práticas da escola.  Entre tantos outros pontos, a leitura cria empatia, permitindo que o leitor viva outras experiências, mergulhe em personagens que têm naturezas diferentes da sua. Isso repercute sobre as relações, nos faz mais humanos e abertos ao outro”, considera.
A ideia do projeto de letramento literário é exatamente trazer a Literatura para a vida dos alunos em sua riqueza e multiplicidade, indo dos clássicos ao que é produzido em nossos dias. 
Alunos do 9º ano, por exemplo, são apresentados à obra de Machado de Assis, um dos ícones da nossa Literatura. Ao mesmo tempo, no 8º ano, estudantes estabelecem contato com o Slam, uma “batalha  de poesia” que une um público – em geral, jovem – em torno de uma performance oral de poesia. 
“É claro que o professor que apresenta Machado de Assis aos alunos pode utilizar o estilo e a época do autor para trabalhar questões linguísticas. No 9º ano, o material ilustra, por exemplo, o conteúdo relacionado à colocação pronominal em próclise, mesóclise e ênclise, mas esse nunca é nosso objetivo principal”, esclarece.
Ela explica ainda que há todo um cuidado na diversificação dos autores trabalhados, incluindo autores negros, indígenas, mulheres e abrindo espaço para a literatura produzida no Espírito Santo. “A questão da consciência negra, do racismo e do preconceito é abordada, inclusive, em um projeto específico em que adotamos obras de nomes como Emicida, Djamila Ribeiro e Kiusam de Oliveira”, diz.
A coordenadora do ensino fundamental 1 da Monteiro, Juliana Poltronieri, conta que, a cada ano, o projeto ganha mais corpo e importância, se desdobrando dos livros para a vida cotidiana. 
“A adoção dessas obras abre caminho para uma discussão maior que, no ano passado, envolveu professores, pais e familiares negros, que se disponibilizam a estar na escola e a compartilhar suas vivências, dores e desafios relacionados às questões raciais e ao preconceito. É um debate que abre os olhos dos alunos para uma realidade historicamente difícil e para as mudanças que são tão necessárias em nossa sociedade”, aponta. 
O projeto é realizado junto a alunos dos 4º anos do ensino fundamental e permite colocar em pauta as diferenças de oportunidade, as dificuldades relacionadas a padrões estéticos preestabelecidos e ao preconceito, ao mesmo tempo em que se trabalha questões relacionadas à Língua Portuguesa e o incentivo à leitura. 

Confira algumas dicas de livro a partir da lista de indicações para os alunos da Monteiro em 2024:

6 anos
 - Assim como você - Guido Van Genechten
 - Alice viaja nas histórias - Gianni Rodari
 - Novas duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz - Ruth Rocha
7 anos
 - Eu quero ser - André Letria e José Jorge Letria
 - Poemas que escolhi para crianças – Ruth Rocha
8 anos
 - O carteiro chegou - Janet e Allan Ahlberg (trad.: Eduardo Brandão) O diário escondido de Serafina - Cristina Porto
 - Mania de explicação - Adriana Falcão
9 anos 
 - Amoras - Emicida
 - E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas    - Emicida
 - O mundo no black power de Tayó - Kiusam de Oliveira
 - Os saltimbancos - Chico Buarque
 - Bisa Bia, bisa Bel - Ana Maria Machado
10 anos 
 - Doze lendas brasileiras - Clarice Lispector
 - Ponte para Terabítia - Katherine Paterson
 - E se o mundo descostura - Aline Dias
11 anos 
 - O menino no espelho - Fernando Sabino
 - O diário de Anne Frank em quadrinhos - Ari Folman e  David Polonsky
 - A revolução dos bichos em HQ - George Orwell (adaptação e ilustração de Odyr)
12 anos 
 - Eu me chamo Antônio - Pedro Gabriel
 - Crônicas 1 - Carlos Drummond de Andrade e outros
 - O santo e a porca - Ariano Suassuna
 - A vida não é útil - Ailton Krenak
 - Pequeno manual antirracista - Djamila Ribeiro
13 anos 
 - Libertinagem - Manuel Bandeira
 - Maus - Art Spiegelman
 - Toda Poesia - Paulo Leminski
 - Um sonho no caroço do abacate - Moacyr Scliar

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